A Acupuntura é uma grande aliada dos atletas de hoje. Amplamente utilizada por atletas chineses e japoneses e recentemente descoberta pelos esportistas ocidentais, a Acupuntura contribui de forma eficaz na performance, diminuição das dores e da sensação de fadiga. Com sua função de equilíbrio energético, de melhora no fluxo sanguíneo, além do efeito local em grupos musculares e grandes articulações, a Acupuntura se torna hoje também um instrumento de aperfeiçoamento do treinamento.  Saiba mais lendo o texto parcialmente retirado da revista O2, escrito por Andrea Estevam.

Há mais coisas em nosso corpo que aquilo que os olhos, as radiografias e as ressonâncias podem ver. Exemplo disso é a delicada e sutil rede de energia que se estende por todo nosso corpo, logo abaixo da superfície da pele, unindo os órgãos e sistemas que nos mantêm vivos. Os chineses chamam essa energia de Qi, a energia da vida; os ocidentais ainda não deram um nome a ela. Mas todos concordam que a acupuntura tem o poder de equilibrá-la, corrigindo e prevenindo possíveis curto-circuitos. A milenar técnica chinesa consegue, de maneira natural e com menos efeitos colaterais que os tratamentos médicos ocidentais, combater a dor e os desequilíbrios orgânicos, fazendo o corpo funcionar melhor, de forma saudável.

Para quem corre ou pratica esportes que envolvem movimentos repetitivos, a acupuntura é uma alternativa de tratamento da dor causada por processos inflamatórios e lesões de ligamentos, músculos e tendões. Ela também tem eficiência comprovada no alívio da fadiga de fases muito intensas de treinamento. “A acupuntura é indicada no tratamento de lesões crônicas como tendinites e lombalgias, e em lesões musculares como estiramentos”, diz Paulo Barone, ortopedista especializado em traumatologia esportiva e cirurgia do joelho e diretor do SportsLab. “Como cada vez mais gente está correndo e quem corre está aumentando cada vez mais a quilometragem, essas lesões têm se tornado comuns. A acupuntura permite tratá-las sem que o corredor tenha de tomar medicamentos por muito tempo”, diz. Em lesões mais graves, como fraturas por estresse, a técnica chinesa tem efeito limitado.

Num estudo feito por pesquisadores da Universidade de Tóquio e publicado no Medical & Science in Sports & Exercise em 2003, foi comprovado que a acupuntura afeta a resposta imunológica e a produção de endorfinas, hormônios liberados pelo nosso cérebro para combater a dor e trazer sensações de bem-estar e conforto. Os cientistas acompanharam um time de elite de futebol feminino em fase de competições. As jogadoras foram divididas em dois grupos: um recebeu o tratamento de acupuntura e o outro serviu como grupo de controle. O grupo tratado recebeu aplicações quatro horas depois de cada jogo, por 15 a 20 minutos, e apresentou inibição da produção de cortisol (o hormônio do estresse) pós-exercício e menor percepção de fadiga e tensão muscular. Em um outro estudo feito com ratos na Faculdade de Medicina Oriental de Seoul e publicado em 2002 no Neuroscience Letter, foram investigados os efeitos da acupuntura na resistência em corrida na esteira. O tempo que os ratinhos levaram para chegar à exaustão aumentou significativamente depois das aplicações de acupuntura.

“Quando uma pessoa está com dor por causa de uma tendinite, por exemplo, é sinal de que fez muito esforço repetitivo e a energia dela se acumulou naquela região, inflamando-a. A agulha dispersa a energia e diminui a inflamação e a dor”, explica Alberto M. Minami, técnico em reabilitação especializado em acupuntura e quiropraxia, que há 15 anos aplica a técnica que aprendeu com um professor da Universidade de Osaka, no Japão. Alberto representa a linha mais oriental da acupuntura: ele faz o diagnóstico através do pulso e trabalha para equilibrar as energias ying(negativa) e yang(positiva). “Se sua energia estiver bem equilibrada, você estará sempre de bem com a vida. A acupuntura equilibra o corpo e a alma”, afirma.

A acupuntura é particularmente eficaz em alguns problemas comuns aos corredores, como as dores na região lombar (lombalgias), as canelites e as tendinites de joelho e de Aquiles (tendinites calcâneas). Como mostrou a pesquisa de Tóquio, a acupuntura estimula o corpo a produzir esteróides e endorfinas. Os esteróides diminuem a inflamação, enquanto as endorfinas diminuem a dor. Assim, ela funciona como um analgésico natural. “Os medicamentos analgésicos utilizados indiscriminadamente podem mascarar a dor sem eliminar a inflamação e levar à falsa sensação de cura. Já a acupuntura produz alívio da dor e ainda estimula o corpo a reagir à inflamação”, explica Liaw W. Chao, médico cirurgião formado pela Faculdade de Medicina da USP, especializado em medicina esportiva e em acupuntura, que atende em seu consultório atletas das assessorias esportivas Run & Fun, MPR, Run For Life e Saúde & Performance, entre outras. “A acupuntura cria condições para o corredor voltar ao esporte, tirando a dor e a inflamação para que ele consiga fazer o trabalho de reabilitação. Além do efeito analgésico e antiinflamatório, ela melhora a circulação de sangue no local, ajuda a recuperar a mobilidade e a tratar as regiões que são secundariamente comprometidas na lesão”, diz.

Outro fator benéfico aliado à prática freqüente da Acupuntura está na melhora dos níveis de concentração, relaxamento e controle mental. Esportistas amadores e profissionais se beneficiam desta técnica milenar, já que o acompanhamento e sua prática ajudam também a prevenir lesões e possibilitam a melhora do desempenho.